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O seu comportamento como predador de topo deu ao achigã uma fama imerecida de exterminador das espécies, o que causou de início receios que vieram a mostrar-se totalmente infundados.
O desaparecimento ou escassez de algumas espécies nativas de cursos de água portugueses deve-se apenas a componentes de poluição e obras cujo impacto ambiental não foi previsto.
De facto em trabalhos recentemente publicados sobre a dieta alimentar do achigã, estudado em quatro albufeiras do Sul de Portugal, nomeadamente Vale Cobrão, Magos, Pego do Altar e Santa Clara, conclui-se que a alimentação do achigã consta essencialmente de insectos (Odonata, Ephemeroptera e Hemiptera) e ainda de duas exóticas consideradas praga e apenas controladas pelo achigã, a Perca Sol e o Lagostim Vermelho da Louisiana.
Para espanto de muitos, as carpas e outros ciprinídeos estavam ausentes dos conteúdos estomacais do achigã.
Em termos de pesca o que se pode dizer do seu comportamento resume-se a uma palavra: Fantástico.
Lutador incansável, ataca as amostras quer com uma saudável violência, quer com a mais fina e imperceptível calma, tornando-o num Peixe de Desporto espectacular.
Segundo Roland Martin, famoso pescador dos Estados Unidos da América, existem 9 razões pela qual o achigã pode atacar uma amostra:
Alimentação
Este factor é responsável, segundo Martin, por um terço dos ataques. factores que podem desencadear um frenesim alimentício são a aproximação de uma tempestade, quedas da pressão atmosférica, enevoamento, ou uma frente quente após uma frente fria.
Mas no geral, o período de alimentação do achigã é curto e dá-se várias vezes ao dia.
Acção reflexa
Esta é a segunda mais importante razão pela qual um achigã ataca.
As melhores amostras para desencadear uma acção reflexa são o spinnerbait e a crankbait. A melhor profundidade para o fazer é em águas até 1,80 de fundo.
Raiva
A terceira mais importante razão. Muitas vezes lançamos a amostra repetidamente para "aquele local" que nos parece ter de albergar um achigã. E só após inúmeros lançamentos, 6 a 10, ele ataca... de raiva. Martin conta a história de um achigã de mais de 4 kg que se atirou à amostra após 76 lançamentos...
Instinto protector
O macho e a fêmea, enquanto nos ninhos, e o macho durante o período em que acompanha os alevins, desenvolvem um elevado instinto de protecção que os leva a atacar as amostras para as "matar".
Curiosidade
É possível atrair um achigã por este factor, embora menor em termos de importância. Aplica-se a peixes que não estando a alimentar-se, apenas "passeando", são passíveis de ser atraídos por amostras naturais e trabalhadas com muita calma.
Competição
Este é um factor que quase todos nós tivemos oportunidade de presenciar. Quantas vezes vemos dois peixes atirarem-se à mesma amostra e às vezes prenderem-se os dois? E quantas vezes vem um peixe atrás do capturado? Então se andam em cardume... é vê-los a competir pela amostra.
Instinto territorial
O achigã possui um forte instinto territorial, nomeadamente nos exemplares adultos de grandes dimensões, que guardam o seu território como um urso o faz na floresta. Ao ver o seu domínio invadido por uma amostra correm a espantá-la como fariam com outro achigã, e atacam-na por esse motivo.
Instinto de matar
Este factor pôe muitos peixes nas nossas linhas. Quantas vezes vimos já peixes do tamanho da amostra ou mais pequenos a atirarem-se à mesma. Logicamente que não é para a comerem, pois não têm ainda capacidade de o fazer, mas apenas para matá-la.
Ignorância
Infelizmente este é um factor com o qual não podemos contar muito nas nossas água. Martin detectou em águas nunca pescadas que qualquer amostra (por desconhecida) podia apanhar achigãs indefinidamente. Inclusive chegou a apanhar o mesmo peixe várias vezes com a mesma minhoca.
Enfim, o achigã é sem dúvida um peixe maravilhoso, imprescindível a quem gosta de pescar desportivamente.
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